Ululante Lú

Archive for março 2010

Nesses 22 anos e 4 meses que eu marco presença  nesse planeta – contando os 9 meses dentro do útero  de mamãe – já visitei um incontável número de  cidades , tanto no Brasil quanto no exterior, mas  nunca fui a Nova York . Mesmo assim tenho um  plano maluco para minha vida.

Eis o plano: Apenas 3 anos separam a data da  minha formatura (28/01/2010) da minha partida  por tempo indefinido para N.Y. O que eu vou fazer em  Nova York? Ainda não sei bem responder assim no geral, talvez um mestrado, trabalhar … O que eu vou fazer especificamente em N.Y? Tentar ver, ouvir, sentir os lugares, os sons, os cheiros que J.D. Salinger – morto em janeiro de 2010- e Gay Talese – vivinho da silva- me fizeram sentir com os sentidos da mente lendo seus livros.

Era como se me transportassem para lá. Ás vezes eu penso que conheço mais Nova York do que um nova iorquino por causa das linhas desses grandes autores. Meu encontro com Salinger foi aos 13 anos , o protagonista Holden Caufield preparava a fuga de um dos colégios internos por que tinha passado, dessa vez ele fugiria antes de ser expulso como nos outros. O destino do jovem protagonista era Nova York. Por Salinger eu me apaixonei desde a primeira linha, por N.Y. assim que Holden desembarcou na Grand Central Station. A cidade vista pelos olhos e sensações de um jovem nova iorquino que retornava à cidade que amava depois de anos afastado arbitrariamente dali, me fascinou por completo. 6 anos depois reli o livro, já não era tão fascinante , eu já havia passado e superado muitos dos dilemas de Holden- muitas vezes com a ajuda dele – ,mas o encanto por N.Y. permaneceu intacto, as palavras me fascinaram mais uma vez.

Com Talese o encontro foi mais tardio aos 21 anos e deveria ser assim mesmo, a compreensão foi facilitada por ser mais próxima da minha realidade. A madrugada, o amanhecer, o entardecer e o anoitecer em NY descritos por ele criaram uma imagem fantástica da big apple na minha cabeça, ás vezes até tenho medo de me decepcionar com a cidade por idealiza-la tanto , embora ache impovável. Os prédios, as saídas dos bares, os personagens inusitados tudo no texto de Talese me encantou. Foi como se aquelas linhas impressas fossem alguém me guiando ao pé do ouvido por Nova York.

Dizem que todo mundo se apaixona por Nova York, assim como dizem o mesmo para quem vai ao Rio. Sendo carioca sou naturalmente apaixonada pela minha cidade, mas Machado de Assis me ajudou a apreciá-la ainda mais. No caso de N.Y. eu já vou para lá apaixonada e sabendo apreciar a cidade, graças a J.D. Salinger e Gay Talese.

Permitir-se novas experiências. É a premissa  básica de qualquer processo de amadurecimento.  Comigo não seria diferente.

Terminada a faculdade , novas perspectivas,  pontos de vista, idéias e porque não? experiências,  vem ao meu encontro a cada segundo. É quase que  uma caixa de Pandora que esperou 4 anos para  ser escancarada, recheada de conhecimento sobre  mim .

Eu, ávida por um novo começo e por me jogar no  desconhecido, tento absorver cada uma das idéias e experiências vindas dessa “caixa”

É paradoxal. No meu caminho para me tornar adulta – séria? – pareço uma criança atrás de bolhinhas de sabão . Estourando-as aleatoriamente. Eu quero, tento , e por vezes consigo, estourar as “bolhas” assim sem saber ao certo no que vai dar.Agir sem a cautela que sempre me perseguiu – a vida toda provavelmente- ,ainda me falta coragem, mas uma certeza eu tenho, o frasco com água e sabão está longe de acabar .


Tagarela

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Luísa Ferreira

Jornalista, carioca da gema que mora em São Paulo.

E-mail: lumferreira@gmail.com
Twitter: @luisamferreira